Vamos simular outro momento da redação de vestibular.
Lembre-se sempre de que dissertar significa dar uma opinião pessoal e explicar por que pensa dessa forma.
Perguntas que você vai me fazer já já:
Mas como eu posso dar minha opinião se eu aprendi que não devo usar a primeira pessoa, não devo dizer "eu"!
Acostume-se a perguntar o porquê de tudo! Geralmente não há nada de absurdo em usar a primeira pessoa. O que ela pode transmitir é "falta de humildade" dependendo de como você escreve...
Todas as palavras são feitas para serem usadas - é óbvio que você não vai escrever do jeito que conversa com seu colega, eu nunca precisei avisar isso para ninguém! Se você ainda acha melhor obedecer as proibições que andou ouvindo, não há problema, elimine a primeira pessoa, mas não sua opinião!
"A pena de morte seria uma solução inadequada para o problema da violência urbana no Brasil".
Faça de conta que você já está decidido sobre o que irá escrever, quer dizer, a redação já está até na sua mente (se não estiver, nem pense em começar a escrever!)
Então é o momento de iniciar o rascunho.
Em TODAS as redações que você fizer no vestibular você estará dando sua posição sobre algo e explicando-a. Não invente nada fora desse esquema, por favor!
Sua opinião chama-se a partir de agora tese, e suas explicações chamam-se argumentos.
A tese será o embrião da introdução.
Ela normalmente fica no primeiro parágrafo, portanto.
Os argumentos formarão o "recheio" da sua redação. Cada um pode ser um parágrafo ou você pode usar um argumento só para o texto todo! Isso varia muito - afinal redação não é ciência exata.
Argumentos emocionais são em geral considerados fracos.
Imagine que você diga "eu gosto disto porque é bonito". Alguém poderá dizer, "que bobagem, isto é horrível".
Quer dizer, não dá para discutir.
Procure sempre se basear em argumentos racionais, que podem ser discutidos.
Já ouvi falar de professores que impedem os alunos de usar gerúndio! Há absurdos incalculáveis em "cursinhos" e colégios!
Mas vamos lá: usar a primeira pessoa NÃO desclassifica ninguém em vestibular nenhum.
Você acha sinceramente que o corretor estará preocupado com esse detalhe? Você acha que ele lerá seu texto e dirá "ahááá! este aqui usou a primeira pessoa! vou tirar pontos dele!"??
Ridículo, não? Ele quer antes de mais nada entender o que você está escrevendo, só isso!
Um exemplo:
Aliás, uma prova recente de redação da Fuvest perguntava diretamente ao candidato sobre a influência que recebeu de familiares e da escola até aquele momento.
"Eu penso que a pena de morte seria uma solução inadequada para o problema da violência urbana no Brasil".
Como seria possível responder sem usar a primeira pessoa?!
E se o corretor não aceitar meus argumentos ou minha opinião?
Opinião é algo pessoal, não é questão de alguém aceitar ou não. Não se preocupe.
Mas o importante é que você escreva seu texto como se estivesse falando com outra pessoa - diga exatamente o que você diria!
Se ele pensar em aceitar ou não as centenas de opiniões que vai ler, vai acabar louquinho...
Quanto aos argumentos, eles indicam com perfeição sua maturidade e seu nível de informação.
Quando você era pequeno (tinha maturidade infantil) seus argumentos eram "porque sim" ou "porque não".
Infelizmente não há como conseguir melhorar sua argumentação em pouco tempo se você nunca foi do tipo que se interessa em saber o que se passa no mundo, ou em assistir a debates...
Vou dar uma mãozinha para vocês!
Aqui vão sugestões que têm dado muito certo com meus alunos ao vivo:
O corretor só estará procurando em sua introdução a tese. Não adianta "enrolar" para deixar a introdução maior, porque ele só quer encontrar a tese mesmo!
Há alunos que preferem criar os argumentos e depois pensar na tese! O importante é terminar o texto por completo!
Se você não informar sua tese no primeiro parágrafo isso não significa que você perderá pontos. Apenas terá menos espaço (linhas) para explicar sua tese, quando ela aparecer.
Dependendo de quantas linhas você tiver, aí sim, isso poderá ser um problema.
Para você ter uma idéia, a Unicamp, em São Paulo, permite que o aluno escreva até 2 páginas, enquanto que a UFPR pede 4 textos de aproximadamente 5 linhas!
O que estiver fora da área fornecida poderá ser desconsiderado pelo corretor.
Vamos terminando por aqui.
E envie-me suas redações!